Pudesse eu ser manhã, dessas manhãs primaveras
Invadiria seu quarto, ainda coberto de sono
Pra tomar em minhas mãos o seu fruto em abandono
E levá-lo a meus lábios... Ai! meu Deus, como o quisera!
E meus lábios entreabertos, mordiscariam seu pomo
E a língua doce e morna, ao pincelar sua haste,
Convidaria sedenta pra habitar o meu domo
E nele deixar seu mel... Ai! meu Deus, que isso me baste!
Mas seu fruto, meu amor, já na minha boca cresce
Minha língua se contorce a sugar todo o volume
Minha flor, bem orvalhada, suplica que se apresse
Desce no canto da boca, um fio de sumo doce
No quarto sumo e orvalho exalam cio-perfume
Flor e fruto se encontram... Ai! meu Deus... verdade fosse...
Queria poder acordar e lembrar somente das coisas boas.
Queria poder abrir os olhos e ver tudo o que um dia me encantou.
Queria poder respirar os mesmos ares que um dia sumiram quando perdi o fôlego.
Queria poder pisar nos caminhos seguros que sempre trouxeram a felicidade.
Queria poder sorrir como criança. Queria de volta o meu sorriso.
Queria acordar e ver que as pessoas importantes de hoje sempre estavam ao meu lado ontem.
Queria poder sentir o abraço daqueles que me acolheram e que hoje não se fazem presentes.
Queria poder dizer o "Eu Te Amo" que tanto me envergonhei de falar.
Queria ser o dono do querer, para quando despertar desse sonho, alegrar-me por já ter vivenciado tudo isso.
Mas o próprio dono revelou que isso já foi destinado a sempre se realizar ontem, hoje e sempre.
Nunca é tarde pra recomeçar.
Meu filho, meu amor, hoje você se tornou nessa pessoa incrível, nesse homem maravilhoso e lindo, mas para sempre você será o meu bebê, e para sempre eu envergonharei você em público apertando sua bochecha e dizendo o quanto o amo.
Você é o meu maior sonho realizado, e ter assistido ao seu crescimento foi a maior alegria. Você é um filho exemplar que sempre encheu meu coração de orgulho e felicidade. Obrigada por ser tão maravilhoso! Eu te amo, meu filho, meu bebê grande!
Inspirado na obra de Schopenhauer (1788-1860)
A fábula se passa na Era Glacial, em um tempo remoto, quando diversas espécies animais foram extintas. Uma manada de porcos-espinhos, sentindo-se prestes a congelar, decide se unir para sobreviver.
Aquecendo-se uns aos outros e trocando energia, os porcos-espinhos ficavam cada vez mais fortes, mas a proximidade excessiva acabava expondo-os às feridas dos espinhos, e assim eles se machucavam e se magoavam. Juntos, estavam quentinhos, porém sangrando:
"Aqueles que mais amavam,
Aqueles que mais sofriam".
Não suportando os ferimentos, eles se afastaram. Cada um em seu canto, acabaram por morrer. Os sobreviventes voltaram e tiveram que aprender a respeitar os limites:
"Mantinham pouca distância,
Apenas suficiente,
Somente para tornar
O próprio corpo mais quente".
Assim venceram o inverno, aprendendo que estar juntos é fundamental, mas também que a individualidade deve ser preservada.
É fácil trocar palavras, difícil é interpretar o silêncio!
É fácil caminhar lado a lado, difícil é saber como se encontrar!
É fácil beijar o rosto, difícil é chegar ao coração!
É fácil apertar as mãos, difícil é reter o calor!
É fácil conviver com pessoas, difícil é formar uma equipe!
Para sermos uma equipe, "precisamos descobrir a alegria de conviver"
(Carlos Drummond de Andrade)
Coloridas ilustrações conduzem a história, ambientando o drama dos porcos-espinhos em cenários que remetem a jogos e brincadeiras diversos: pipa, dados, bola, quebra-cabeças, cartas, dominó, amarelinha, xadrez, roda. Afinal, a vida é também um jogo, e para saber jogar é preciso aprender as lições da convivência e dos limites.
Sonho de dia e de noite com o momento em que vou conhecer você. Hoje apenas sinto seu pulsar de vida em meu ventre, e isso é mais que suficiente para alimentar este amor que por você já é maior do que a própria vida, minha filha!
Sonho em abraçar você e lhe dizer tudo o que sei, tudo o que aprendi e desejo aprender. Sonho em lhe confessar como a amo mais que tudo, e principalmente sonho em descobrir quem e como será você, filha, com a certeza que seja como for, a vou amar incondicionalmente!