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Quando olho para você, minha filha, sempre encontro motivos para sorrir, para continuar a descobrir a felicidade da vida. É você quem me dá força, quem de transmite segurança. É você, meu bem!

Você é a caçula, a que veio depois, a que segura minha mão mais cansada que antes. Eu amo você por todas as razões e mais algumas; e prometo que meu amor nunca vai extinguir. Beijo!

Devemos ter gosto pela vida, o que significa apreciar toda a sua exuberância e saber que existe uma única vida sob incontáveis formas.
Conhecer essa vida significa saber que o poder está no momento presente, que eu sou ela, que você é ela, que tudo isto é ela e ela é tudo o que existe.
Um poeta indiano, Rabindranath Tagore, disse: o mesmo rio da vida que corre pelo mundo corre constantemente pelas minhas veias e baila ao som de sua própria música...
É a mesma vida que grita de alegria, perfurando a terra com incontáveis lâminas de relva, e explode em agitadas ondas de flores. Ele chamou a isso o palpitar das eras dançando em meu sangue neste exato momento.
Ter gosto pela vida é entrar em contato com essa dança. É enfrentar o que vem pela frente com despreocupação e liberdade. O desconhecido é o campo de todas as possibilidades que existe em cada instante.
Nele encontramos liberdade, vamos além dos condicionamentos do passado e muito além da prisão do espaço e do tempo.
Como disse Don Juan a Carlos Castañeda: Não importa qual seja nosso destino específico, desde que o enfrentemos com o máximo de abandono. Isso é desprendimento. Isso é alegria. Isso é liberdade, gosto pela vida.

Ter uma irmã mais velha é ter uma segunda mãe. É sentir o amor de alguém que se torna muito especial em nossa vida. Foi com você, querida irmã, que eu aprendi muito do que sei hoje e é com orgulho que digo que somos sangue do mesmo sangue.

Eu quero agradecer por tudo o que você tem feito por mim e pedir que continue sendo a pessoa amiga, confidente e companheira que sempre foi para mim.

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados,
Para chorar e fazer chorar,
Para enterrar os nossos mortos -
Por isso temos braços longos para os adeuses,
Mãos para colher o que foi dado,
Dedos para cavar a terra.
Assim será a nossa vida;
Uma tarde sempre a esquecer,
Uma estrela a se apagar na treva,
Um caminho entre dois túmulos -
Por isso precisamos velar,
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.

Não há muito que dizer:
Uma canção sobre um berço,
Um verso, talvez, de amor,
Uma prece por quem se vai -
Mas que essa hora não esqueça
E que por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.

Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre,
Para a participação da poesia,
Para ver a face da morte -
De repente, nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte apenas
Nascemos, imensamente.

A felicidade é um estado permanente que não parece ter sido feito, aqui na terra, para o homem. Na terra, tudo vive num fluxo contínuo que não permite que coisa alguma assuma uma forma constante. Tudo muda à nossa volta. Nós próprios também mudamos e ninguém pode estar certo de amar amanhã aquilo que hoje ama. É por isso que todos os nossos projetos de felicidade nesta vida são quimeras.

Aproveitemos a alegria do espírito quando a possuímos; evitemos afastá-la por nossa culpa, mas não façamos projetos para a conservar, porque esses projetos são meras loucuras. Vi poucos homens felizes, talvez nenhum; mas vi muitas vezes corações contentes e de todos os objetos que me impressionaram foi esse o que mais me satisfez. Creio que se trata de uma consequência natural do poder das sensações sobre os meus sentimentos. A felicidade não tem sinais exteriores; para a conhecer seria necessário ler no coração do homem feliz; mas a alegria se lê nos olhos, no porte, no sotaque, no modo de andar, e parece se comunicar a quem dela se apercebe. Existirá algum prazer mais doce do que ver um povo se entregar à alegria num dia festivo, e todos os corações desabrocharem aos raios expansivos do prazer que passa, rápida mas intensamente, através das nuvens da vida?

Jean-Jacques Rousseau