Do lado de um imenso muro de pedras voava um pássaro, como sempre sozinho, pensando na sua eterna solidão.
Do outro lado do mesmo muro outro pássaro também voava e lamentava o seu interminável isolamento.
Mas do alto de uma nuvem, bem acima de qualquer muro, dois anjos observavam a cena.
Um dos anjos comentou: - Veja que maravilha! Que sincronismo de voo! Isto é o verdadeiro amor.
O outro anjo questionou: - Será que eles nunca se encontrarão?
O primeiro anjo respondeu: - É claro que sim. Olhe, lá adiante, o fim do muro. Todo muro tem um fim.
E completou: - Mas se eles se arriscassem a voar mais alto, acima do muro, poderiam se encontrar hoje mesmo.
Nuvens encobrem meus olhos,
Uma neblina que esfria minha pele,
Caminho no escuro,
Escuto o som do mundo,
A misturar,
Triturar a luz do dia,
Em meio a magia dos sonhos,
Ainda respiro,
Transpiro,
A desejar,
De forma vaga,
Que o sol me traga,
O calor,
Acabe a dor,
Que me aperta o peito,
Desaba em meus olhos,
O véu da tristeza,
Tornar, distorcer,
Em pedaços,
Sei que vou esquecer,
Sonhos infantis,
De belos querubins,
Risos infantis,
No calor,
Do fogo da paixão,
Perdendo,
Escoando,
Minha voz no vento.
Nunca te arrependerás:
De teres freado a língua, quando pretendias dizer o que não convinha.
De teres pensado antes de falar.
De teres perdoado aos que te fizeram mal.
De teres suportado com paciência faltas alheias.
De teres sido cortês e honesto com tudo e com todos.
Priminha do meu coração, hoje você chega à maioridade e oficialmente se torna uma mulher. Parabéns! Espero que o dia esteja à altura de uma data tão especial, pois só se celebram 18 anos uma vez na vida.
Festeje com alegria e comece sua caminhada pela vida adulta da melhor forma. Mas espero que ao longo dessa caminhada você nunca perca esse sorriso lindo e esse brilho no olho. Feliz aniversário, prima, e seja sempre muito feliz!
Noite ainda, quando ela me pedia
Entre dois beijos que me fosse embora,
Eu, com os olhos em lágrimas, dizia:
"Espera ao menos que desponte a aurora!
Tua alcova é cheirosa como um ninho...
E olha que escuridão há lá por fora!
Como queres que eu vá, triste e sozinho,
Casando a treva e o frio de meu peito
Ao frio e à treva que há pelo caminho?!
Ouves? É o vento! É um temporal desfeito!
Não me arrojes à chuva e à tempestade!
Não me exiles do vale do teu leito!
Morrerei de aflição e de saudade...
Espera! até que o dia resplandeça,
Aquece-me com a tua mocidade!
Sobre o teu colo deixa-me a cabeça
Repousar, como há pouco repousava...
Espera um pouco! deixa que amanheça!"
E ela abria-me os braços. E eu ficava.
Olavo Bilac