Às vezes somos possuídos por uma sensação de tristeza que não conseguimos controlar. Percebemos que o instante mágico daquele dia passou, e nada fizemos.
Temos que escutar a criança que fomos um dia, e que ainda existe dentro de nós. Esta criança entende de instantes mágicos! Podemos sufocar seu pranto, mas não podemos calar sua voz. Esta criança que fomos um dia continua presente.
Bem-aventurados os pequeninos, porque deles é o Reino dos Céus. Se não nascermos de novo, se não tornarmos a olhar a vida com a inocência e o entusiasmo da infância, não existe mais sentido em viver.
Existem muitas maneiras de se cometer suicídio. Os que tentam matar o corpo ofendem a lei de DEUS. Os que tentam matar a alma também ofendem a lei de DEUS, embora seu crime seja menos visível aos olhos do homem.
Prestemos atenção ao que nos diz a criança que temos guardada no peito. Não nos envergonhemos dela. Não vamos deixar que ela tenha medo, porque está só e quase nunca é ouvida.
Vamos permitir que ela tome um pouco as rédeas de nossa existência. Esta criança sabe que um dia é diferente do outro.
Vamos fazer com que se sinta de novo amada. Vamos agradá-la, mesmo que pareça tolice aos olhos dos outros. Lembrem-se de que a sabedoria dos homens é loucura diante de Deus. Se escutarmos a criança que temos na alma, nossos olhos tornarão a brilhar.
Se não perdermos o contato com esta criança, não perderemos o contato com a vida.
Dizem que não existem despedidas definitivas, e eu espero que essa teoria se aplique a nós duas. Só de imaginar que você está prestes a ir para longe, sinto um aperto muito grande no peito e uma vontade incontrolável de agarrar sua mão para nunca mais soltar.
Depois das inúmeras aventuras que vivemos e dos momentos únicos que compartilhamos entre choros e sorrisos, perder a amiga que sempre esteve ao meu lado causará um profundo amargo em meu coração. Você foi o meu amparo em todas as ocasiões que precisei e eu tenho certeza que de hoje em diante não será mais a mesma coisa.
Mesmo assim, não posso deixar que uma amizade como a nossa simplesmente acabe. Você é muito especial para mim e tenho certeza que havemos de encontrar uma solução para voltarmos a estar juntas. Quem sabe este adeus não será uma porta que se abre para algo muito positivo. Aconteça o que acontecer, só quero que você seja feliz e que sua caminhada seja muito abençoada!
O sonho é a luz que conduz nossas vidas. É a força que nos mantém firmes na luta por tudo aquilo em que acreditamos. Sem ele todos os dias seriam vazios e no final acabaríamos sempre perdidos.
Nunca desista de sonhar, faça isso para bem da sua alma. Haverá dias em que eles parecerão distantes e outros em que estarão perto de ser conquistados, mas o mais importante é manter a expectativa que no futuro eles se tornarão realidade.
Neste momento tenho pouco para te dizer, mas este pouco significa muito, pois agora tudo o que sinto se resume em saudades. Profundas saudades tuas.
Queria estar ao teu lado, queria sentir a tua respiração bem próxima da minha, queria ver o reflexo dos raios do sol na tua íris, queria sentir o calor da tua mão na minha mão. Estou com saudades da tua voz, saudades de passear de mãos dadas, com os dedos entrelaçados, saudades da tua pele e da tua postura nobre e doce.
Espero que esta minha agonia não se prolongue, espero que nós nos encontremos em breve, muito breve, para que eu possa dizer-te, pessoalmente, o quanto gosto de ti.
Não amaremos talvez insuficientemente a vida? Já notou que só a morte desperta os nossos sentimentos? Como amamos os amigos que acabam de deixar-nos, não acha?! Como admiramos os nossos mestres que já não falam, com a boca cheia de terra! A homenagem surge, então, muito naturalmente, essa mesma homenagem que talvez eles tivessem esperado de nós, durante a vida inteira. Mas sabe porque nós somos sempre mais justos e mais generosos para com os mortos? A razão é simples! Para com eles, já não há deveres.
É assim o homem, tem duas faces. Não pode amar sem se amar. Observe os seus vizinhos, se por acaso acontece um falecimento no prédio. Dormiam na sua vida monótona e eis que, por exemplo, morre o porteiro. Despertam imediatamente, atarefam-se, enchem-se de compaixão.
É preciso que algo aconteça, eis a explicação da maior parte dos compromissos humanos. É preciso que algo aconteça, mesmo a servidão sem amor, mesmo a guerra ou a morte. Vivam, pois, os enterros!
Albert Camus