Ser, somente ser e mais nada,
Ter, somente ter e mais nada,
Sorrir, somente sorrir e nunca inventar um piada,
Cantar, somente cantar as músicas dos outros e nunca a própria.
Ser, ser forte para mudar,
Ter, ter coragem para mudar,
Sorrir, sorrir quando alguém te faz feliz,
Cantar, cantar também a história de tua luta.
Ser, ser triste hoje e lutar pela felicidade amanhã,
Ter, ter dor hoje e alívio amanhã pela suas conquistas,
Sorrir, sorrir lembrando da lágrima de ontem,
Cantar, cantar a beleza de estar conquistando tudo sem perder a melodia.
Ser, ser alguém para alguém,
Ter, ter coragem de ser você próprio,
Sorrir, sorrir sem cessar, sem parar, ser ter fim.
Cantar, por que cantar é simplesmente cantar e mais nada.
Sinto o gosto dos seus beijos delicados, saborear os meus lábios, o calor de sua pele, fazer o meu corpo se curvar ao prazer e a maciez de seu toque, envolver meu espírito, sinto você brincando de amar entortando o meu coração fazendo me perder em seus desejos, sem me deixar raciocinar.
Sinto seus movimentos carinhosos e ligeiros, enlouquecendo minha mente, fazendo-me morrer por alguns segundos, saboreio os delírios de meus pensamentos, mas... eu quero estar com você senti você, sua alma, seu corpo, sua boca.
Quero ouvir suas fantasias sussurradas na noite, acordando meus extintos, arrancando a minha pele, arranhando os meus sentimentos de paixão, quero seu corpo colado ao meu, fundindo-se, amando-se, acabando-se.
Quero modular suas curvas com as minhas próprias mãos, quero sugar todas as suas gotas de suor, com a ponta de minha língua, quero todos os seus gritos de loucura e prazer., quero sentir você, quero amar você, meu amor, minha paixão.
Não, Marquito não sentia inveja dos meninos que tinham violões de verdade porque ele vivia sonhando que tinha um também. Ele fazia vibrar suas cordas invisíveis, com o rosto iluminado e os olhinhos brilhando de emoção. Havia quem achasse que Marquito era meio lelé-da-cuca.
Claro, era gente que não tinha imaginação suficiente para saber que "aquele" violão só podia ser visto (e ouvido) por outros sonhadores, como Marquito. Essas pessoas ignoravam também que ele não se conformava com a realidade que havia, vivendo a sonhar com a realidade que devia haver. Tendo seu violão imaginário como bandeira, Marquito via um mundo novo.
Um mundo em que as coisas são das pessoas que as entendem. E não só das pessoas que podem comprá-las. Ah, quanta gente tem um violão na sala de visitas servindo de enfeite, sem tocá-lo nunca! E lá ia Marquito dedilhando seu violão de sonho, tirando as músicas lindas que seu coração compunha. Depois, limpava-o cuidadosamente com uma flanela bem macia feita de nuvens. Ele o guardava com carinho numa capa cor de céu todo estrelado. Daí, ele pegava seu violão mais que exclusivo e o escondia debaixo da escada secreta que usava para subir ao seu paraíso particular.
As pessoas que não entendiam Marquito, tadinha delas, até pensavam em levá-lo a um psicólogo para saber se ele tinha alguma coisa. Como resposta, ouviam: "Não, ele não tem uma coisa, mas sonha com ela, e assim, faz de conta que a tem". Um dia, os que só sonhavam quando dormiam resolveram dar um violão de verdade para o menino que sonhava acordado. Ao recebê-lo, Marquito abraçou-se ao violão, comovido, e disse: "Obrigado. Agora tenho dois".
Saudade mais dolorida, é a saudade de quem se ama. Saudade da voz, das conversas, do jeito. Saudade da presença, e até da ausência consentida.
Não deixe que morra em você a criança. Que vê a vida com olhos de sonhos, onde brilha a esperança e a felicidade.
Que se encanta com cada descoberta, pois o mundo é um mundo de coisas a descobrir. Que é verdadeira em seus gestos e ações. Que não teme em ser ridícula ou fazer feio, apenas age com naturalidade.
Que viaja na imaginação, com companheiros irreais e tão reais. Que consegue conversar consigo mesma, falar de seus sonhos e seus medos.
Que vibra de alegria por cada vitória alcançada, mesmo que pareça pequena diante de tudo que tem por conquistar.
Que deseja ser grande e ser tanta coisa. Que às vezes parece tão distante de si, mas não importa, pois o ser começa em desejar ser. Que ao sentir-se carente, aconchega-se no colo de alguém sem receio de não poder retribuir.
Que se sente protegido por se amado. E ama, sem medo de não ser correspondido.
Que não age com preconceito diante do diferente, pois ser diferente não é ser mais nem menos, apenas diferente. Que age com naturalidade diante da morte, pois a vida não é mais do que uma parte do caminho.
Que sorri e chora quando tem vontade, pois as emoções são para ser vividas e compartilhadas.
Ser adulto também é manter-se criança.