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Você disse que gostava de mim, que cuidaria e ficaria do meu lado como meu namorado. Você disse e eu acreditei...

Acreditei em você, acreditei nos seus sentimentos e genuinamente a eles me entreguei e agora me arrependo, como nunca antes, pois tão grande é a decepção que agora sinto!

Pesa no peito a dor, a certeza de ter sido ingênua, a impossibilidade de recuperar o tempo que perdi acreditando no engano do seu amor, e desperdiçando o meu com você!

Não são apenas saudades que sinto. A cada dia que passa eu percebo como você me faz muita falta, até mesmo em coisas pequenas. O seu jeito de sorrir e a forma preocupada como sempre dava seus conselhos são coisas muitos especiais que guardarei eternamente no meu coração.

Você foi a melhor avó que eu poderia ter encontrado e se hoje me sinto triste, é por já não ter oportunidade de viver mais momentos inesquecíveis ao seu lado.

Hoje os sinos tocam
pois na cidade há uma morte.
Sua face é irreconhecível
seu olhar se perde na brisa da manhã.
Um surto ameaçador,
uma sensação horripilante de temor de solidão.
Letras benditas
e papéis esvoaçantes
neles contém a resposta para a pergunta:
Por que?
Palavras de conforto
Silêncio implorando um curto tempo.
Memória perdida.

- Meus pêsames senhorita.
Nunca pensei que alguém pudesse velar sua pobre alma assassinada na chacina do amor.

No rosto pálido, reflete a dor de uma grande perda.

Hoje não tocam apenas os sinos da cidade,
mas também, os sinos do céu anunciando que lá se vai mais uma pequena alma para o inferno

E este anuncia:
Seja bem vinda a sua nova casa.

A felicidade não cai do céu, nem se entrega nos braços de quem não está na disposição de lutar. É preciso atitude para que ela aconteça em nossas vidas e caráter para que permaneça por muito tempo.

Tenha a coragem de querer ser feliz neste mundo ruim e força para enfrentar todas as contrariedades. Faça momentos únicos acontecerem a cada dia para que viver valha muito a pena.

Tanto é o sangue
que os rios desistem de seu ritmo,
e o oceano delira
e rejeita as espumas vermelhas.

Tanto é o sangue
que até a lua se levanta horrível,
e erra nos lugares serenos,
sonâmbula de auréolas rubras,
com o fogo do inferno em suas madeixas.

Tanta é a morte
que nem os rostos se conhecem, lado a lado,
e os pedaços de corpo estão por ali como tábuas sem uso.

Oh, os dedos com alianças perdidos na lama...
Os olhos que já não pestanejam com a poeira...
As bocas de recados perdidos...
O coração dado aos vermes, dentro dos densos uniformes...

Tanta é a morte
que só as almas formariam colunas,
as almas desprendidas... — e alcançariam as estrelas.

E as máquinas de entranhas abertas,
e os cadáveres ainda armados,
e a terra com suas flores ardendo,
e os rios espavoridos como tigres, com suas máculas,
e este mar desvairado de incêndios e náufragos,
e a lua alucinada de seu testemunho,
e nós e vós, imunes,
chorando, apenas, sobre fotografias,
— tudo é um natural armar e desarmar de andaimes
entre tempos vagarosos,
sonhando arquiteturas.

Cecília Meireles