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Minha mãe, dizer-lhe adeus foi muito doloroso e a sua partida deixou um vazio muito grande na minha vida. Mas apesar da dor da sua ausência física, sinto que permanece junto a mim, pois tudo que sou devo a você, e nos meus atos, palavras e pensamentos, sua memória está viva.
Todos os dias penso em você, com saudade e amor eternos, e agradeço a Deus por ter me dado o privilégio de ter tido uma mãe tão maravilhosa. Que descanse em paz, minha amada mãe!
Luzes felizes, coloridas a piscar, Com bolinhas reluzentes, transmitindo todo o amor. Fazem meus sonhos, mais felizes, Estou pulsante, como as asas de um anjo protetor.
Que venha o Natal, singelo, sincero, E nos traga muita luz, amor. Mensagens belas e verdadeiras, Trazidas pela voz do Senhor.
Querendo a felicidade, Todos cantam numa só voz. Dentro do coração guardamos o amor, Por este homem que nasceu e morreu por nós.
Com a vida apressada, angustiada, tão absorta em pensamentos pequenos, sem entender a dor disfarçada em mal humor, pouso os olhos no menino, ali, dormindo. No meio da rua, entre carros, passantes, cachorros e passarinhos destoantes, com as mãozinhas sobre a cama de papelão, agarradinho, inocente, no corpo do irmão.
A mãe sofrida, sentada no sujo chão, tentando esconder a vergonha e a fome, tendo à frente o pai, derrotado enquanto homem. A dor oprimida no peito, sem conseguir engolir, ver assim alguém tão só, uma família – flores do pó. Ah, a cruz! Preguem-me na cruz.
Quero morrer por eles, morrer por mim, inerte, covarde, torpe! Nada a fazer, senão sofrer? Não tem remédio, senão chorar? Menino dormindo, como o meu, como os nossos, sonha sonhos de criança, com luzes e festa, com brinquedos e paz, sorvete, banho, banheiro. Alegria o ano inteiro.
Perdeu o endereço do céu, mas espera Papai Noel. Aquele pai e aquela mãe, sem teto ou dignidade, não sabem da missa a metade. Não choram, apenas pedem, que a sorte mude e os ventos tragam a esperança e o sorriso do menino, que dorme ali no chão, tranquilo, ao relento, desprotegido.
A leoa de dentes arrancados, o guerreiro sem escudo, sem lança, sem conseguir defender sua criança, olhar vazio, de alma apagada, sem ter mais nada. Nada a oferecer, senão seu corpo. Nada a pedir, senão o pão. E eu, e você, o que fazemos?
Vamos embora, com a consciência confortada de que nada podemos fazer, por não termos o poder. Qual nada! Eu posso. Você pode. Mas é difícil, é cômodo. Você tem lar. Eu tenho pão. Eles é que não.
Você foi, e, é a mulher que Deus me doou numa etapa difícil da minha vida. É a mulher que escolhi como melhor companhia. É o ar que respiro. É a minha locomoção de um lado para o outro. É o meu dia e minha noite. É o meu sonho mais louco.
É a fantasia dos meus pensamentos. É o fruto da minha imaginação. É a minha lembrança mais branda. É a recordação que não sai do meu coração. É minha tristeza... Minha dor e minha solidão.
É a minha fonte de inspiração nas horas que não consigo pensar porque lhe deixei partir. É a musa que inspira tantas palavras que saem de dentro do meu ser nas horas tristes. É tudo isso e além disso... Mas depois que partiu a minha vida deixou de fazer sentido, porque não há mais alegria no meu coração e nem sorriso no meu rosto.
O que realmente existe dentro dele é o amor que sinto por você e que não consigo oferecer para outra mulher, por ele ser meu único e verdadeiro sentimento e que é privilegiada por ser alguém especial... De extrema sorte e de grande importância pra minha vida.
Depois que partiu nada mais me interessa, porque você é a mulher que mais amei e ainda amo nessa terra.
O beijo venenoso:
a tua voz como um espelho
que acorda lembranças
de tato em silêncio.
Longe do prazer,
vazia da dor
digo o teu nome, à beira da minha língua.
E o som rola
como o meu coração:
casca impregnada das tuas mãos
que ainda pulsa quando cessa o teu apelo.
Lourdes Espínola